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Natália Motta,15.Brazil
Descrever-me nunca foi tão difícil. Sou três palavras: bobagem,criança,saber.Feliz por ser boba. Contente em ainda ter meu eu criança,e muito grata pelo meu dom do saber.Mas as vezes,sou tudo aquilo que temo.
"Eu nunca errei em dizer que me sinto sozinha. Eu sempre fui o tipo de pessoa que abraça a liberdade,como se fosse Deus à minha frente. Aquela liberdade que te dá asas. Aquela liberdade que nunca te deixa cair. Talvez eu esteja errada…talvez não.
Nunca gostei de receber propostas inusitadas de um futuro bom.Gosto do que me soa ao natural […] Sempre fiz tudo no presente,esperando que o meu futuro,fosse consequência do que tinha feito ontem. Eu nunca neguei abraços pra alguém que me xingava. Eu nunca guardei remorso por alguém que me fez mal.Eu nunca dei motivo à ninguém que me odiasse. Nunca fui de arrumar briga. Eu nunca amei ninguém de verdade.
Eu nunca me senti sozinha como me sinto agora. Eu nunca me senti desprotegida e solitária diante de quatro paredes. Eu nunca precisei sair de onde eu estava,pra ir chorara no banheiro. Eu nunca vi tanta lágrima rolar sobre a minha face,choro e gritos abafados em uma toalha de rosto,pra que ninguém notasse meus gritos assim corrompidos,de minha tamanha tristeza. Eu nunca pedi pra ser amada,muito medos querida por alguém. Mas carinho solidário,abraços inusitados e aconchegantes,eu nunca evitei. Eu nunca precisei tanto de carinho,abraços,sorrisos e aconchegamentos tão quanto eu preciso agora. Sou bicho orgulhoso,seu moço. Gosto não,de dizer o que sinto.Gosto não de sair pedindo —coisa desse tipo,minha mãe dizia que a gente dá pra ganhar depois— De dizer o que se passa. De chorar em público. Gosto não. O que eu gosto mesmo,é dos poucos amigos que me restam. Da família maluca que Deus me deu. Do amor que nunca tive e da saudade verdadeira também. Do sorriso inesperado,do abraço aconchegado. Da respiração ofegante e das palavras que me são ditas,mais parecidas com canção de ninar.Gosto do sorriso de dentes tortos. Do cabelo bagunçado, que vejo se deixar levar pela brisa do vento que bate nas madeixas.Dos franzidos dos olhos ao olhar pro sol.Das sobrancelhas que se fazem de várias formas diante de alguma pergunta. Eu sonho continuamente com esse futuro bom
[…] Seu moço,eu nunca pedi nada pra ninguém. Nunca obriguei nada de alguém. Mas será que de nada pedir —apenas cobrar um pouquinho de atenção—não me resta mais nada? será que de nada disso que retribuo,eu devo receber? Será que assim sozinha eu devo ser,até os fins dos meus dias? Tenha pena de mim,seu moço. Faço mal à ninguém não. Só peço um pouquinho de paciência e conforto no coração." - Natália Motta. Queria esse tal futuro bom. (re-alinhar)
Via re-alinhar
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Source: re-alinhar
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